O perigo mora ao lado
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Silva
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Maria
Eduarda
Maria Emília
Mikael
Freire
O perigo
mora ao lado
Acordo
no meio da noite sabia que ele estaria aí, mas meus olhos se recusaram a abrir,
estava enjoada do seu cheiro podre, a sua última visita tinha sido umas das
piores dentre todas as suas outras. Por que voltou tão cedo? Rezo para que ele
suma, pelo menos só hoje ainda estava muito machucada, a cada visita ele era
mais malvado e agressivo comigo, se eu chorasse enquanto ele me machucava ele
ameaçava cortar a minha garganta. Tentei contar a mamãe sobre o monstro que
aparecia todas as noites no meu quarto enquanto ela não estava em casa, mas ela
dizia que era apenas minha imaginação, monstros não existiam, quem acreditaria
em uma criança de 7 anos de idade?
Hoje
ela dormiria em casa, papais também, hoje ele não vira fico aliviada, mas sinto
medo de fechar os olhos e ver aquela figura macabra na porta do meu quarto,
será se um dia ele ainda ira me matar?
Papai me
cutuca, e me assusto.
- Está
tudo bem, Laura?
- Sim,
só estava pensando em hoje a noite. Ainda vamos todos ao parque?
- Claro,
querida! - responde sorrindo
Estava
com saudades dos meus pais, papais é médico e mamãe viaja muito há trabalho,
lisa mora com a gente ela é a minha babá, nos divertimos muito, ela é a minha
segunda mãe!
Ao
cair da noite, sinto que algo irá acontecer, mas ele não vira, eu sei disso
papai e mamãe estão em casa, o que ele poderá fazer contra mim?
Mamãe
entra no quarto para me desejar boa noite:
-
Laura?
- Sim,
mamãe?
- Está
na hora de dormir, meu amor!
- Ele
não virá?
- Ele
quem?
- O
monstro, mamãe.
- Ó
meu amor, nunca mais ele irá voltar a atormenta-la!
Sinto
seu olhar vazio e distante, abraço-a, mas sinto cheiro de sangue em suas
roupas. Ela se despede de mim com um beijo na testa, ao fechar a porta pego no
sono rapidamente hoje eu dormiria mais tranquilamente.
Sinto
sede e levanto para beber água, ao descer as escadas escuto um barulho vindo do
banheiro de baixo, escuto a voz da mamãe bem baixinha como se estivesse
sussurrando, logo em seguida escuto lisa chorar baixinho:
- Era
necessário - diz mamãe
Abro a
porta bem devagarzinho e consigo enxergar a meia luz o que era, o corpo
esquartejado do meu pai, o seu rosto desfigurado e a minha mãe sobre seu corpo
cortando-o mais, escuto ela dizer que os cachorros o devorariam já que estavam
a dias sem comer, pensei em gritar, mas ela poderia me matar também, ela sente
que algo a observa fico paralisada agora era a minha vez que ser morta, sinto
minhas pernas fraquejar mas precisava voltar para o meu quarto, subo as escadas
correndo com medo dela me pegar ao chegar em meu quarto me jogo em cima da cama
e cubro metade do meu corpo, deitada lembro do rosto do meu pai ainda em vida,
feliz, brincando, com todo amor e carinho que ele tinha por mim as vezes ele
era um pouco difícil eu sei, mas, eu o amava e sabia que ele também me amava,
coisa que a mamãe nunca demonstrou para mim, agora tenho a imagem de seu corpo
sem vida, cortado em pedaços. Escuto a porta abrir, meu corpo congela de medo,
mas era apenas lisa, finjo estar dormindo ela me cobre e vai embora, lisa
também se arrependeria pelo que ela fez, a noite do dia 28 de abril ficou
marcada na minha memória por toda a minha infância.
Hoje
seria o grande dia, meu aniversário de 18 anos, queria que papai estivesse aqui
para comemorar junto comigo, mas terei o que tanto desejei durante anos hoje à
noite. Após a morte do papai, mamãe se recusava a comer e a sair estava no ápice
da loucura, o caso nunca foi descoberto papai foi dado como desaparecido seu
corpo nunca foi encontrado, mas eu sabia o que tinha acontecido. Depois daquela
noite, o monstro nunca mais voltou, talvez papai estivesse me protegendo aonde
quer que estivesse ou talvez fosse apenas a minha imaginação fértil de criança,
mas as dores que sentia no meio das pernas já não havia mais, agora era a hora,
entro no quarto dela ela estava dormindo tão tranquilamente que fico com inveja
de seu sono, por que mamãe? Éramos uma família tão feliz!
Ela
não me ouve entrar levanto a faca e corto a sua garganta, sem gritos, sem
confronto físico não teve tempo para isso, ela apenas coloca as mãos sobre o
corte enquanto o seu sangue se esvai do seu corpo, até choraria por ela, mas
sei que não faria o mesmo por mim. Logo em seguida vou até lisa, ela está
acordada e vê o sangue em meu corpo:
-
Laura? O que você fez?
- Eu
sei o que vocês fizeram!
- Do
que você está falando?
- O
dia em que você ajudou a matar o meu pai!
-
Laura, você não entende.
- Conte-me
o que eu não entendo!
- Sua
mãe, ela descobriu quem era o monstro que tanto a atormentava.
- Como
seria possível, era apenas a minha imaginação?
- E
como você explica aquelas marcas? As suas dores?
-
Machucados de uma criança normal que brinca e cai por aí!
- Não
Laura, era seu pai. Seu pai abusava de você!
- Mentira,
meu pai me amava.
- Sim,
mas não dá forma que um pai ama uma filha.
- Mentira
- É verdade, sua mãe começou a notar a obsessão dele por você e se culpou por não
ter escutado as suas queixas de dores. Ele voltava todas as noites do trabalho
enquanto sua mãe estava fora viajando e entrava em seu quarto, ele era o
monstro, ele te machucava!
- Não
pode ser - dizia em lágrimas - eu matei a minha mãe Lisa, a minha mãe! Que só
queria me proteger
- Você não sabia, meu amor!
- Eu
não tinha esse direito, agora eu sou o monstro, matei a pessoa que eu achava
que não me amava, mas era quem realmente se importava comigo!
Hoje,
5 anos depois, Laura estaria comemorando seus 23 anos de idade, se não tivesse
se jogado do vigésimo quinto andar de um prédio pessoa dizem que ela não
suportou o fardo da morte da sua mãe e a vergonha de ter sido abusada, já
outras, dizem que o " monstro" que Laura relatava voltou a
atormenta-la e aconselhou a se suicidar e que sua alma vaga buscando sossego,
que seus gritos podem ser ouvidos e seus choros de lamento se bem prestar
atenção. Ouviu? Quem sabe você possa ajudá-la, já se perguntou quem pode ser
essa garota morta atrás de você?
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