Marcas de um passado que não se apaga


Adriana Araújo
Gabriela Conceição
Laiane Silva

Tudo começou no colegial, achei que seria a melhor época da minha vida, mas se você está achando que vai ser líder de torcida, ter armário na escola, time de futebol americano, e todos esses blá blá blá de filme americano, pode parar! Isso não existe! A verdade é que você só vai ser mais uma trouxa, usada, enganada e traída! Logo no primeiro dia de aula conheci Ana Júlia, ela era igual a mim, porém já era segundo ano, achei que nos daríamos muito bem, pelo menos eu achava né? Até conhecer o novato, ele chegou da Gênova uma semana depois que as aulas começaram. Então começamos a gostar dele, foi aí que o inferno se formou. Era uma guerra diária para ver quem chamaria mais a atenção dele.
Você deve estar se perguntando quem sou eu, pois bem, sou Daffiny Sloan. Tenho 16 anos e vou contar minha história de vida, sim mesmo tendo pouca idade tenho já passei por algumas coisinhas, acho que todo adolescente passa.

Na aula de química eu era a melhor, foi aí que ele se aproximou de mim, e conversamos.

- Olá! Tudo bom? Me chamo Anthony Gregori, posso me sentar aqui?
Juro que tive um pequeno infarto, apenas sorri e balancei a cabeça. E ele continuou a conversa
- Como você se chama?
- Me chamo Daffiny Sloan! Minha mãe escolheu esse nome por causa da série Grey’s Anatomy, e sinceramente acho isso um saco.
- Nossa, você também é fã de Grey’s?
Como falar que não gosta de algo para a pessoa que você quer impressionar sendo que ela ama aquilo?
- Sim, claro que sim!; confirmei toda envergonhada com medo dele perguntar algo sobre a série, e mais uma vez senti vontade de esmagar minha mãe por ter escolhido esse nome. Valeu hein mãe! 
- Podemos marcar de estudar química na sua casa?
Juro que queria gritar de alegria, mas como sou plena, apenas disse:
-Claro que sim! Depois marcamos!
A professora entrou na sala interrompendo a conversa. Quando a escola liberou, fui correndo assistir todas as temporadas. Vai que o crush me nota de novo?
Ana Júlia me ligou, toda empolgada:
- AMIGAAAAA! O menino que eu te falei mais cedo, sentou do meu lado na aula de teatro, conversamos sobre La Casa de Papel. Ele me chamou para treinar encenação na minha casa! Ai amiga tô muito feliz!!
- SÉRIOO? O que eu te falei também, disse que viria aqui em casa estudar química, só resta saber se minha mãe vai deixar.
-Meu pai chegou, nestante conversamos, beijo amigaa!
Todas as salas se juntaram para fazer uma festa no Haloween, nessa festa eu estava conversando com ele, quando Ana Júlia chegou, e cochichou:
- É esse o menino que eu tô afim!
-Nossa Ana, vem aqui, precisamos conversar!

O QUE? OI? Mas como assim? Não podia ser!!! Como saberíamos que era o mesmo menino? Ele me disse que era fã de Grey’s e agora de La Casa de Papel? Não dava para desconfiar, ele nem me disse que fazia teatro! E eu ainda fiquei com ele algumas vezes, como não percebi que ele só queria se dar bem em química, que trouxa eu fui! Achei que ele seria diferente, e a Ana Júlia com que cara eu iria falar com ela?
Fomos no banheiro e eu contei a ela, que era o mesmo menino, não tinha como não perceber que ela logo mudou, mas eu não podia fazer nada, ela agiu como se eu fosse culpada.  Ele ainda falava mal da gente, chamava de nerd, de come quadro e só falava com a gente para consegui passar nas matérias. A festa acabou, Anthony estava com uns amigos, resolvi falar com ele, ele nem sequer olhou, ainda espalhou mentiras sobre mim. Eu não sabia qual era o pior, se era perder minha amiga por um motivo tão idiota, ou por criar expectativas e me frustrar!
Foi um saco, fiquei indo para a escola apulso, nem o cabelo fazia questão de pentear, não falava com ninguém, quando eu passava no corredor todos cochichavam e viravam a cara. E Ana estava com Anthony, dá para acreditar que depois disso tudo, ela ainda preferiu ficar com ele? Eu estava sozinha, meus pais não se importavam comigo, aliás eles não tinham tempo, estavam sempre ocupados, não tinha amigos, o que eu poderia fazer? Me trancar e viver só, perdi o gosto de tudo. Você pode estar pensando, se isso foi motivo para tanta tristeza, mas cada um sabe o que sentir, eu me aprofundava cada vez mais na tristeza, e aquela menina alegre, sociável, não existia mais, foi aí que peguei uma depressão.
E cada vez mais isso tomava conta de mim, foi quando minha família reparou no meu sofrimento, ao invés de me ajudarem me colocavam ainda mais para baixo, não existia mais razões para eu sair dessa, não existia razões para acordar todos os dias, e só restavam uma saída; todos sabem qual é...

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