A TRAIÇÃO
Conto
Colégio
Estadual Professor Edilson Souto Freire
Professora:
Tássia Fernanda
Emanuelle
Reis
Itamara
Santana
Misael
Rocha
A
TRAIÇÃO
Júlia
era uma microempresária da cidade de São Luís e estava prestes a se divorciar. O
motivo dito por Fernando era a paixão pelo emprego que subia à cabeça, que ela
chegava ao ponto de não cuidar dele e muito menos de si. Mas Júlia desconfiava
de uma suposta traição do marido, o casamento alegre e fervoroso tinha mudado
com o novo trabalho de jornalista que Fernando conquistou. Ele era um cara
alto, cabelo grisalho, olhos castanhos, a barba sempre bem-feita e a todo
momento andava bem-vestido. Assim, Fernando frequentemente era cobiçado por
muitas mulheres e o ciúme de Júlia começou a aumentar com os atrasos e as
saídas repentinas do marido, dizia que era o chefe ligando para que ele pudesse
comparecer ao emprego. Com tantas confusões e desentendimentos, ele decidiu pôr
fim ao casamento de 12 anos.
- Pelo amor de Deus, eu não aguento mais isso Júlia! –
disse Fernando com seu tom de voz elevado.
- Mas é você com as saídas imprevistas quase todos os dias e
é sempre a mesma desculpa! – disse Júlia chorando como forma de
esclarecer a situação.
- Você é maluca? – gritou Fernando com uma
risada irônica.
- Não, não sou. Depois desse emprego que você conseguiu, o
nosso relacionamento só piorou! – respondeu Júlia com as mãos
na cabeça olhando para o espelho.
- Ah, quer dizer então que é o meu emprego que coloca isso
na sua mente? – perguntou deitado na cama lendo uma revista
de publicidade.
- Não, é o que você realmente me mostra! – reclamou Júlia apontando para a mão de
Fernando em razão da ausência da aliança.
Enfurecido,
Fernando arremessou a revista pela janela do quarto, se levantou da cama, e foi
em direção ao guarda-roupa.
- Chega, isso passou dos limites! –
retirando suas roupas do guarda-roupa e pondo na mala.
- Por favor, não faça isso Fernando. Eu te amo! –
chorando desesperadamente, ajoelhada aos
pés do marido.
Friamente ele pega a sua mala, dá as costas e
sai do quarto sem falar uma palavra.
Sem
ter o que fazer, Júlia pensa em Bruno. Bruno era o melhor amigo de Júlia desde
a infância. Quando eram crianças, todos os finais de semanas ele ia para a casa
de Júlia passar o dia todo brincando, além de sempre estarem juntos nas escolas
e na faculdade.
Depois
que Júlia casou, tornou-se difícil para os dois se reencontrarem em
restaurantes e em bares, como antigamente. Quando os dois se reuniam, a
diversão já era garantida. Lembravam dos apertos e das aventuras vividas, com
certeza, a noite era curta com tantas histórias.
Com
tanta angústia no coração, Júlia decide ligar para o amigo e contar o que
aconteceu.
- Alô, sou eu Bruno, a Júlia!
- Oi mana, quanto tempo a gente não se fala. Tudo bem com
você?
- Não! – chorando
desolada.
- Por que está chorando? O que foi que aconteceu? –
perguntou Bruno preocupado.
- Foi o Fernando. A gente teve uma briga feia, disse que não
me aguentava mais e saiu com uma mala! – gritando aos prantos.
Pelo celular Júlia escuta um barulho, foi o barulho do portão da casa de Bruno se
abrindo.
- Bruno?? – falou Júlia pelo celular.
- Oi mana, é que chegou visita aqui em casa. Depois a gente
conversa melhor viu?
- Viu Bruno, por mim tudo bem! – disse deprimente.
- Vai ficar tudo bem! Beijos! – tentando
tranquilizar Júlia.
- Beijos! –
imediatamente a chamada caiu.
Já era
noite, Júlia chorando na cama, enrolada com um coberto, segurando um quadro que
tinha a foto do dia do casamento com Fernando. O vento frio que entrava pela
janela, ocupava o quarto e o vazio da alma de Júlia. O relógio chegava às duas
horas e doze minutos da madrugada, quando ela pegou no sono.
Às nove
e meia da manhã, ela levanta da cama e vai olhar toda a casa, mas não encontra
nenhum sinal da volta do Fernando. É nesta hora que ela toma firmeza e decidi
ir embora dessa casa, pois em qualquer cômodo que chegava fazia ela pensar no
marido. Ela também imaginava que indo embora da casa, mostraria para Fernando
que ele era algo insignificante para ela, assim ele sentiria a falta da mulher
que estaria perdendo.
Ela se
mudou para uma casa que ficava à dois quarteirões da antiga casa. Era um lugar
esquisito. Era uma casa antiga, mas bem conservada. Lembrava a casa de seus
avós, tinha um jardim com algumas folhas secas caídas no chão, a varanda tinha
duas cadeiras de balanço e um sino pendurado em frente a porta de madeira.
Os
antigos donos era um casal de idosos mal-humorados que não falavam com ninguém
e poucas vezes eles saíam da casa. Os vizinhos diziam que os idosos pegavam as crianças
que andavam sozinhas na rua, tiravam os seus órgãos e ofereciam aos gatos. Mas
isso era tudo mentira, foi uma forma de tentar assombrar Júlia porque os
vizinhos queriam invadir o grande terreno que a casa tinha no fundo.
Passou-se
duas semanas e as esperanças de Júlia estavam se esgotando. Cada minuto
demorava uma eternidade por causa da ansiedade, da amargura, da apreensão que
ela sentia por uma resposta. Isso prejudicava a sua saúde, não desejava se
alimentar e quando se alimentava sentia enjoo e jogava tudo para fora,
ocasionando sua fraqueza física. Então, Júlia resolveu ir a clínica fazer os
seus exames de rotina.
- Dona Júlia, tenho uma ótima notícia para você! – falou o médico entusiasmado.
- Você não está com fraqueza por causa de uma provável
doença emocional, mas porque você está grávida! –
disse sorridente.
- Grávida? Eu? –
ficou em choque.
- Sim, você mesmo. Meus parabéns, seu bebê já tem um mês de
gestação! – lendo os resultados.
Júlia
ficou um pouco abalada com a notícia, mas alegre em saber que está esperando um
bebê. Na mesma hora ela pensou que Fernando viria correndo para os braços dela,
devido ao filho que ele tanto sonhava em ter um dia. O médico disse para ela
tomar cuidado, não se estressar e nem fazer muito esforço, assim ela teria uma
gravidez saudável.
Retirando-se
da clínica às quatorze horas da tarde, ela tentou contar a novidade para seu
amigo Bruno, mas o celular dele só dava caixa postal. Voltando para casa, em
seu belo carro branco, assentada sobre bancos aconchegantes de couro, escutando
suas músicas favoritas que tocava no rádio. Júlia achou melhor não revelar sua
gravidez para Fernando, estava receosa com que o médico disse e não queria
começar uma possível nova discussão. Ela acreditava que no instante que
Fernando a visse com a barriga grande, ele ficaria emocionado e se
arrependeria.
O
tempo foi passando, Júlia sem poder fazer muito esforço, contratou uma
empregada, a Milena. Milena era uma jovem órfã, com uma vida sempre muito
sofrida. Foi encontrada por uma madre de um convento, ajudou e orientou, mas
Milena não quis seguir uma vida de freira. Engrenou na vida de empregada, foi a
única forma que encontrou para sobreviver. Júlia admirava o caráter de Milena,
além de ajudar bastante, era uma companhia na sua gestação.
Enquanto
isso, através da vizinhança Fernando ficou sabendo que Júlia tinha mudado de
casa, mas em nenhum momento pensava que ela estava grávida. Assim, ele retornou
para a casa, pois lá tinha o seu escritório e também ficava mais próximo do seu
emprego.
Passaram-se
seis meses. Para Júlia, a única expectativa de salvar o casamento, era o bebê.
A sua empregada Milena descobriu que Fernando havia retornado para a casa.
- Dona Júlia, preciso contar algo que lhe interessa!
- O que é? Me diga Milena? –
disse Júlia bastante curiosa.
- As vizinhas me disseram que o Sr. Fernando voltou para a
casa! – disse com os olhos arregalados bem baixinho no ouvido de
Júlia.
Júlia
imediatamente se levantou da cadeira de balanço e pôs a mão sobre a barriga:
- Esse é o momento certo de nós encontrarmos o seu pai! –
disse olhando para a barriga com os
olhos lacrimejando.
O
relógio chegava às dezenove horas da noite quando ela decidiu pegar o carro, e
ir em encontro com Fernando. Ela estacionou seu carro duas casas antes, para
que assim pudesse fazer uma surpresa para seu marido, já que ela ainda tinha a
chave da casa.
Parando
em frente da porta, o silêncio falava mais alto. Rodou a maçaneta e empurrou a
porta pausadamente. De primeira, viu os sapatos de Fernando jogados na sala. Seu
batimento cardíaco começou a disparar quando escutou um barulho vindo do quarto
do casal, lentamente foi lá ver o que era. Frente a frente a porta que estava encostada,
seu coração dizia algo ruim, a curiosidade espremia sua mente, suas mãos tremiam
e suavam frio sobre a barriga. Era este o momento crucial, sendo bom ou ruim,
ela necessitava da verdade. Impulsionou levemente a porta do quarto e de
repente olhou o que nunca havia presumido, a dor imensurável em ver Fernando na
cama aos beijos e abraços com aquela pessoa que dizia ser o seu melhor amigo
desde a infância, o Bruno. A cena mais terrível vista em toda a sua vida, suas
pupilas dilataram-se, suas pernas titubearam, sua boca secou e a língua a dor
arrancou. Retirou-se depressa sem
ninguém perceber.
Dentro
do carro chorando aos prantos, desesperada, só queria sair o mais rápido
daquele lugar e sumir do mundo. Ligou apressadamente o carro e saiu em alta
velocidade. O medidor de velocidade do carro marcava 120 Km por hora, quando de
repente a bolsa d’água estourou. Júlia começou a sentir fortes dores de
contrações, não aguentou segurar o volante, o carro derrapou na pista e acabou
capotando. Ainda com o rosto todo ensanguentado, Júlia tentou retirar o cinto
de segurança, mas era tarde, o fogo já se alastrava.
No dia
seguinte, Fernando sem saber o que tinha acontecido, foi normalmente para seu
trabalho de jornalista. Chegando lá, observou seus colegas de trabalho
dialogando bastante, mas não se preocupou em saber o que era. Foi diretamente
ao escritório do chefe.
- Bom dia chefe! Posso entrar? – disse Fernando todo bem
vestido.
- Sim, claro!
- Sabe o motivo de tanta conversa lá
na Redação? – perguntou Fernando curioso.
- Devem estar falando da manchete do dia Fernando! – respondeu o chefe fumando
um charuto.
- Qual é a manchete de hoje? – perguntou sem saber de
nada.
O chefe levantou-se da
poltrona, foi em direção a janela e disse:
- A manchete é: “Mulher grávida morre carbonizada em um
acidente grave”.
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